O Amante

Instalação
68 fotografias a cor com molduras pintadas (entre 20x15cm e 100 x70cm).
Dimensions variáveis
Colecções Privadas, Portugal

“As colecções unem. As colecções isolam. Unem aqueles que amam a mesma coisa. (mas ninguém ama a mesma coisa como eu; bastante) Isolam daqueles que não partilham a paixão. (Infelizmente, quase todos). E então procuro não falar do que mais me interessa. Falo do que te interessa. Mas isso recordar-me-á, frequentemente, aquilo que não posso partilhar contigo
Oh, ouve. Não vês. Não vês como é belo.”

Susan Sontag, “O Amante do Vulcão”

A instalação é constituída por grupos, desenhos a grafite sobre papel, de vasos gregos e romanos, peças Egípcias e mobiliário do sec XVIII. Todos os desenhos contém legendas tiradas dos livros “O amante do vulcão”, Susan Sontag, e “Fragmentos de um discurso amoroso”, Roland Barthes.
O livro da Susan Sontag gira em torno de um coleccionador inglês, diplomata, Embaixador em Nápoles, no período que antecedeu as invasões francesas lideradas por Napoleão. Como grande coleccionador que é não consegue ser um amante, porque o amor que sente pelos seus objectos de arte não lhe permitem amar. Este tipo de desejo sentido pelos objectos da sua colecção seria da mesma natureza que teria por um ser humano, o que seria incompatível.
O coleccionador descobre o amor por uma mulher, quando esta faz “quadros-vivos” de cenas mitológicas, usuais naquela época. Projecta nela os sentimentos que tem pelos seus objectos de arte porque ela própria ganha o atributo de objecto coleccionável. Fica fascinado e acaba por se apaixonar por ela.
O livro “Fragmentos de um Discurso Amoroso”, de Roland Barthes, permitiu a Vasco Araújo entrar num ideário em que o conceito de Adorável assume protagonismo, atravessando vários dos seus desenhos. Um conceito específico de desejo profundo e intenso que quase cega as pessoas que o experimentam. A paixão do coleccionador é, sobretudo, adoração por qualquer coisa.
Os 10 grupos que formam a instalação são formados cada um deles por um armário ou cómoda e uma cadeira, contendo frases que reflectem a essência do coleccionador, e objectos( vasos gregos e romanos) com frases que se referem á transferencia do desejo material ao desejo carnal.

“ Ela é toda a beleza que eu admiro nos meus vasos, voltados á vida”
Susan Sontag, “O amante do vulcão”

 

 

Installation
64 colour photos with painted frames (ranging from 20x15cm to 100x70cm).
Variable dimensions
Private Collections, Portugal

“Collections unite. Collections isolat. They join those that love the same thing (but nobody loves the same thing as much as I do). They isolate one from those that do not share the same passion (Unfortunately, almost everybody). And so I try not to speak about my interests. I talk about what interests you.
But frequently I’ll be reminded of what I can’t share with you. Oh, listen. Can’t you see?. You don’t see how beautiful it is.”

Susan Sontag, “The Volcano Lover”

The installation is a set of drawings, graphite on paper, of Greek and Roman vases, Egyptian pieces and XVIIIth century furniture. They all have subtitles from the books “The Volcano Lover”, by Susan Sontag, and “A Lover’s Discourse”, by Roland Barthes.
Vasco Araújo intends to follow the idea that a true collector can’t be a lover. In his installation, the collector discovers the desire for a woman derived from the fact that she was doing Tableaux Vivant of mythological scenes, projecting in her the idea of a collectable object.
The installation has 10 groups of drawings and each group has a cupboard and a chair, with a phrase defining the essence of a collector, and objects (Greek and Roman vases) with a phrase that refers to the transference of characteristics from the material desire to a flesh desire.

“She’s everything I admire in my vases, returned to life.”


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