Sem corpo não há Rainha

Instalação
22 placas de pedra (Molianos) com texto gravado.
Dimensões variáveis

Installation
22 stone placks (molianos) with text.
Variable dimensions.

 

1. “Estás, linda, posta no sossego, de teus anos colhendo doce fruto, naquele engano da alma, ledo e cego, que a Fortuna não deixa durar muito, o nome que no peito escrito tinhas.”

2. Tenho uma vontade imensa de te sentir, de te beijar , mas a pedra fria arrepia-me.

3. O que é esta alma tua, o que faço com este corpo que não me anima

4. Qual o tempo do silêncio da espera para um novo corpo?

5. Tenho em mim a memória da imagem, o som já lá vai e desse só me resta o silencio do vazio.

6. Este aqui te responde em lembranças que na alma lhe moravam, que sempre ante seus olhos te traziam em pensamentos que voavam. E quanto, enfim, cuidava e quanto via eram tudo memórias de alegria.

7. Corpo amado, de tão nobre grandeza, de tamanhos encantos nas formas, não me aqueces a alma, pois de ti retiraram a aura do esplendor luminoso.

8. Tenho um desasossego no corpo quando esperencio o teu colo gelado, não percebo por que é que não falas? Dizem que a pedra está sempre em transformação.

9. Falo-te em surdina, estou a tentar falar contigo, ouves-me? A tua petrificação provoca-me o delírio do vazio.

10. O teu corpo é escuro e imperscrutável, o espírito é como a luz e transparente. Tornar visível tudo o que é invisível.

11. Este corpo morto é uma imagem inconsciente que exerce coacção, mas o corpo vivo é actualmente invisível. – Tudo o que virá a ser, já o foi antes.

12. Quero encomendar uma moldura para a memória dele, porque lhe quero mostrar o meu amor.

13. Sei que no coração me estala a dor

14. Lembra-te de mim, Lembra-te de mim, e não te esqueças dos meus actos, não te esqueças do meu corpo.

15. Não quero que as pessoas gostem da morte da alma, falo da morte porque senti o que é a morte, sei que as pessoas gostam da morte porque dizem: Tanto me faz. È necessário fazê-las compreender o amor.

16. Está tudo vazio à minha volta. Fiquei vazio.

17. A morte veio de repente, o corpo estava distraído e a alma desejou.

18. Sei o que é a morte, já reparei que há pessoas inconscientes. Choro quando sinto que uma pessoa não é consciente.

19. Quero viver coisas, sou um homem no meio da morte; perante a morte, não sou Deus, sou um amante.

20. Quero viver. Sentirei desejo pelo corpo desaparecido, ele abandonou-me.

21. Procurei o amor e percebi que não existia, não tive tempo de o provar na sua totalidade, penso que somente existe em mim sentimento de posse, não sei... sei que estou angustiado por me teres deixado.

22. Deixei de ser alegre, porque senti a morte


23. Ela não dorme, e eu também não, ela pensa e eu sinto. Tenho medo do que lhe possa acontecer, não sei para onde foi, não sei o que lhe hei-de dizer, mas sinto.

24. Tenho medo de me habituar à dor, porque sei que isso é morte.

25. Não tenho medo de ser culpado, mas tenho medo da morte dela. Eu estou gelado, tenho pena de mim e dela. Estou a chorar, estou a morrer. Não sou Deus, sou eu a sentir.

26. Olho para este espaço e vejo-o cru e vazio, sem alma nem calor, apetece-me possuir alguém.


27. Morreu, vi-lhe o cadáver ao longe. Estava deitado numa essa, Compreendi a morte e tive medo. Fui-me embora sem beijar o cadáver. Não me encontro sem a presença do corpo vivo.


28. O corpo vazio está impregnado no vazio da minha alma corpórea.

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