1. “Estás, linda, posta no sossego, de teus anos colhendo doce fruto, naquele engano da alma, ledo e cego, que a Fortuna não deixa durar muito, o nome que no peito escrito tinhas.”
2. Tenho uma vontade imensa de te sentir, de te beijar , mas a pedra fria arrepia-me.
3. O que é esta alma tua, o que faço com este corpo que não me anima
4. Qual o tempo do silêncio da espera para um novo corpo?
5. Tenho em mim a memória da imagem, o som já lá vai e desse só me resta o silencio do vazio.
6. Este aqui te responde em lembranças que na alma lhe moravam, que sempre ante seus olhos te traziam em pensamentos que voavam. E quanto, enfim, cuidava e quanto via eram tudo memórias de alegria.
7. Corpo amado, de tão nobre grandeza, de tamanhos encantos nas formas, não me aqueces a alma, pois de ti retiraram a aura do esplendor luminoso.
8. Tenho um desasossego no corpo quando esperencio o teu colo gelado, não percebo por que é que não falas? Dizem que a pedra está sempre em transformação.
9. Falo-te em surdina, estou a tentar falar contigo, ouves-me? A tua petrificação provoca-me o delírio do vazio.
10. O teu corpo é escuro e imperscrutável, o espírito é como a luz e transparente. Tornar visível tudo o que é invisível.
11. Este corpo morto é uma imagem inconsciente que exerce coacção, mas o corpo vivo é actualmente invisível. – Tudo o que virá a ser, já o foi antes.
12. Quero encomendar uma moldura para a memória dele, porque lhe quero mostrar o meu amor.
13. Sei que no coração me estala a dor
14. Lembra-te de mim, Lembra-te de mim, e não te esqueças dos meus actos, não te esqueças do meu corpo.
15. Não quero que as pessoas gostem da morte da alma, falo da morte porque senti o que é a morte, sei que as pessoas gostam da morte porque dizem: Tanto me faz. È necessário fazê-las compreender o amor.
16. Está tudo vazio à minha volta. Fiquei vazio.
17. A morte veio de repente, o corpo estava distraído e a alma desejou.
18. Sei o que é a morte, já reparei que há pessoas inconscientes. Choro quando sinto que uma pessoa não é consciente.
19. Quero viver coisas, sou um homem no meio da morte; perante a morte, não sou Deus, sou um amante.
20. Quero viver. Sentirei desejo pelo corpo desaparecido, ele abandonou-me.
21. Procurei o amor e percebi que não existia, não tive tempo de o provar na sua totalidade, penso que somente existe em mim sentimento de posse, não sei... sei que estou angustiado por me teres deixado.
22. Deixei de ser alegre, porque senti a morte
23. Ela não dorme, e eu também não, ela pensa e eu sinto. Tenho medo do que lhe possa acontecer, não sei para onde foi, não sei o que lhe hei-de dizer, mas sinto.
24. Tenho medo de me habituar à dor, porque sei que isso é morte.
25. Não tenho medo de ser culpado, mas tenho medo da morte dela. Eu estou gelado, tenho pena de mim e dela. Estou a chorar, estou a morrer. Não sou Deus, sou eu a sentir.
26. Olho para este espaço e vejo-o cru e vazio, sem alma nem calor, apetece-me possuir alguém.
27. Morreu, vi-lhe o cadáver ao longe. Estava deitado numa essa, Compreendi a morte e tive medo. Fui-me embora sem beijar o cadáver. Não me encontro sem a presença do corpo vivo.
28. O corpo vazio está impregnado no vazio da minha alma corpórea.
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