Trabalhos para nada “Amneris”

Instalação
Painel de madeira forrado a cartão prensado-perfurado e pintado, 11 fotografias (c-print sobre k-line) e texto sobre k-line
Dimensões da instalação: 205 x 115 cm

Nos anos oitenta eu era a melhor Amneris de Moscavide, sempre soube! Sim! Quem é que me igualava? Quem? A Cossotto? Coitada já estava cheia badalo, ou a Simionato? Não, nem mesmo numa gravação rara da Tebaldi, ela não consegue o mesmo que eu no “L’aborrita rivale a me sfuggia” não, eu era a melhor! Até tinha uma vizinha que dizia que a cristaleira abanava toda cada vez que cantava! E outro que se punha à janela só para me ouvir e gritava lá de baixo. Bravo! Sobretudo quando cantava com Jon Vickers a substituir a Rita Gorr. Nunca aquela gente ouviu tamanha voz! Também é natural, já não há, nunca mais houve vozes daquelas.

Installation
Wood panel lined with painted perforated-hardboard, 11 photographs (c-print on k-line) and text on k-line
Installation dimensions: 205 x 115 cm

During the 1980s, I was the best Amneris in Moscavide, I always knew it! Yes! Who was as good as me? Who? Cossotto? The poor thing had got too full of herself, or Simionato? No, not even in a rare recording by Tebaldi did she match my achievement in “L’aborrita rivale a me sfuggia”. No, I was the best! I even had a neighbour who said that her glass cabinet trembled every time I sang! And another one who came to the window just to hear me and shouted up at me, applauding, above all when I sang with Jon Vickers, taking the place of Rita Gorr. Those people had never heard a voice like mine. Which is not surprising, since there isn’t, there never again was, a voice like mine.

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